O Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) divulga edital para seleção de pesquisador(a) de pós-doutorado no âmbito do Observatório para Florestas e Transições Justas. A oportunidade prevê atuação em Belém (PA), com duração de até 24 meses e bolsa mensal no valor de R$ 12.000,00.

A vaga integra um projeto internacional financiado pela Fundação Ford, que investiga o papel dos direitos à terra em processos de descarbonização e transições justas, envolvendo instituições do Brasil, Reino Unido, México e Gana. O(a) pesquisador(a) selecionado(a) atuará no desenvolvimento de pesquisas qualitativas na Amazônia brasileira, em colaboração com equipes multidisciplinares e redes internacionais.

As inscrições estão abertas até 1º de junho de 2026. Os(as) interessados(as) devem enviar currículo, carta de apresentação e contatos de referências profissionais conforme orientações do edital. Segue abaixo o edital disponível.

EDITAL DE SELEÇÃO PARA VAGA DE PESQUISADOR(A) PÓS-DOUTORADO AMAZÔNIA BRASILEIRA  (Português)

EDITAL DE SELEÇÃO PARA VAGA DE PESQUISADOR(A) PÓS-DOUTORADO AMAZÔNIA BRASILEIRA (Inglês)

 
A equipe de pesquisadores ligada ao PPGAA divulga a primeira edição do boletim Visões de mundo e estratégias sobre mudanças climáticas na Amazônia. Mensalmente, os investigadores apresentarão as iniciativas de pesquisa nas quais têm trabalhado e as publicações com resultados de pesquisa. No PPGAA, compõem a equipe os docentes Ângela Camana, Monique Medeiros, César Martins de Souza, e os discentes Eduardo Monteiro e Anacleto Ribeiro. O projeto faz parte do programa científico AmazonFACE em seu componente "Impacto das mudanças climáticas no ciclo hidrológico na Amazônia", financiado pelo edital pró-Amazônia do CNPq. 
 
 

NewsLetter Mudanças Climáticas e Agronegócio

 
 

A atividade encerrou a visita de campo de estudantes do INEAF e NAEA

No dia 17 de abril, sexta-feira, foi encerrada a visita de campo realizada por estudantes do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) e do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), no sudeste do Pará. A programação, desenvolvida ao longo de quatro dias, proporcionou reflexões sobre a dinâmica histórica, social e política da região, marcada por conflitos agrários, concentração fundiária e pela atuação de grandes empreendimentos econômicos, mas também por processos contínuos de resistência protagonizados por movimentos sociais. A data remete ao Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando trabalhadores rurais sem terra, organizados em marcha, foram reprimidos por forças da Polícia Militar, resultando na morte de 19 pessoas na chamada curva do S, localizada na PA-155. O episódio tornou-se um dos principais marcos da violência no campo brasileiro, evidenciando desigualdades estruturais no acesso à terra e gerando repercussão nacional e internacional.

Três décadas após o ocorrido, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou uma marcha até a Curva do S. A mobilização teve como objetivo reafirmar a memória dos trabalhadores assassinados e destacar a permanência da luta pela reforma agrária no país. Mais do que um ato simbólico, a marcha evidenciou elevado nível de organização coletiva. A estrutura do movimento foi composta por diferentes funções e responsabilidades, incluindo equipes de segurança, batedores, coordenação central, lideranças nacionais e locais, além de responsáveis pela condução de palavras de ordem, registros audiovisuais e representação simbólica. Esse arranjo demonstra planejamento, articulação política e capacidade de mobilização social. A participação de pessoas de diferentes faixas etárias — jovens, adultos e idosos — foi apontada como um indicativo da continuidade histórica da luta no campo e da consolidação do campesinato como sujeito político. Nesse contexto, a marcha se configura como uma forma de resistência ativa, articulando reivindicações por acesso à terra, produção agrícola e soberania alimentar, ao mesmo tempo em que denuncia a permanência de violências estruturais no meio rural.

A Curva do S, portanto, mantém-se como um território de memória e denúncia, mas também como espaço de reafirmação da luta coletiva por justiça social e transformação das estruturas agrárias no Brasil. O encerramento da visita de campo nesse local reforça o papel da formação acadêmica na compreensão crítica da realidade amazônica e na valorização das experiências históricas de resistência.

Autoria: Jainara Araújo e Vanessa Silva

Grupo de Alunos do INEAF e NAEA acompanham as mobilizações do Acampamento Pedagógico Oziel Alves Pereira.

Na véspera dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no dia 16 de abril de 2026, quinta-feira, discentes vinculados ao Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) e ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), participaram de uma programação de atividades no sudeste paraense voltada à reflexão sobre memória, reforma agrária e organização social no campo. A agenda teve início com a participação em plenária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizada no Instituto Latino-Americano de Agroecologia (IALA), localizado em Palmares II, no município de Parauapebas. O encontro reuniu educadores, jovens e dirigentes do movimento, promovendo o debate sobre temas como reforma agrária popular, agroecologia e o papel da memória histórica na luta pela terra na Amazônia. Entre os participantes, esteve o dirigente João Pedro Stédile, que dialogou com os presentes sobre os desafios contemporâneos do campo brasileiro.

Ainda no período diurno, o grupo visitou o acampamento Terra e Liberdade, situado na região entre Parauapebas e Curionópolis, atualmente reconhecido como o maior acampamento do MST no país. Durante a visita, os estudantes dialogaram com famílias acampadas e puderam observar, de forma direta, as condições de vida no local. Destacaram-se as estratégias de organização coletiva e o potencial produtivo da área, projetada como futuro assentamento com base em princípios agroecológicos. Ainda pela tarde o grupo se dirigiu até o Acampamento Pedagógico Oziel Alves Pereira. As atividades incluíram a participação em um ato público na Curva do S, com o fechamento simbólico da rodovia nos sentidos Marabá, São Geraldo do Araguaia e Parauapebas. A mobilização retomou o trajeto da marcha interrompida no dia 17 de abril de 1996, reunindo integrantes do MST, movimentos sociais e comunidades camponesas. Durante o ato, foram reiteradas denúncias relacionadas à violência no campo e reivindicações por políticas estruturais voltadas à reforma agrária.

A programação foi encerrada com uma vigília em homenagem às vítimas do massacre no acampamento. O momento reuniu famílias assentadas, jovens e representantes de movimentos sociais em atividades simbólicas, incluindo manifestações culturais, depoimentos e períodos de silêncio. A vigília reafirmou o compromisso coletivo com a preservação da memória histórica e com a continuidade da luta por acesso à terra, justiça social e dignidade na região amazônica. As atividades evidenciam o papel das instituições acadêmicas e dos movimentos sociais na construção de espaços de reflexão crítica, formação política e valorização da memória, especialmente em contextos marcados por conflitos agrários e desigualdades históricas.

Autoria: José Ribamar

Revisão: Evelyn Neves

 

Seminário reuniu especialistas que apresentaram dados históricos sobre a Guerrilha do Araguaia e os impactos da ditadura militar na região

No dia 14 de abril de 2026, terça-feira, a equipe de estudantes do INEAF e NAEA coordenada pelo professor Frederico Brandão participou de uma atividade acadêmica no campus da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), voltada à discussão da memória, da resistência e da repressão no sudeste paraense, com foco na Guerrilha do Araguaia e nos desdobramentos da ditadura militar brasileira. A mesa foi composta pelos pesquisadores Naurinete Fernandes Inácio Reis e Janailson Macêdo Luiz, além do estudante Paulo Fonteles Filho que compartilhou relatos sobre sua trajetória familiar. Durante a atividade, foram apresentadas análises sobre os processos de apagamento histórico, violência institucional e as práticas de repressão direcionadas não apenas aos militantes guerrilheiros, mas também às populações indígenas e camponesas. Um dos destaques do seminário foi a exposição do professor Janailson Macêdo sobre a trajetória de Gabriel Pimenta, advogado mineiro que atuou no Pará durante o período de redemocratização. Reconhecido por sua atuação junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pimenta teve papel relevante na organização sindical e na defesa jurídica de trabalhadores rurais em conflitos fundiários. Seu assassinato, em 1982, foi apontado como um caso emblemático de violência política, posteriormente reconhecido em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2022, que responsabilizou o Estado brasileiro.

As discussões também abordaram a Guerrilha do Araguaia e a atuação das forças militares na região. Segundo os participantes, a repressão não se limitou aos integrantes da guerrilha, alcançando de forma sistemática comunidades camponesas, sob a suspeita de apoio aos insurgentes. Nesse contexto, a chamada “Casa Azul”, localizada em Marabá, foi mencionada como um dos principais símbolos da repressão. Operada pelo Centro de Informações do Exército (CIE), a estrutura funcionou como base estratégica para o combate à Guerrilha do Araguaia e para a ocultação de práticas repressivas, tendo funcionado como centro clandestino de detenção e tortura entre 1972 e 1974. Durante o seminário foi destacado ainda a importância da atuação da mídia independente e da transformação de espaços marcados pela violência em locais de memória e reflexão. O desaparecimento forçado foi caracterizado como um crime continuado, cujos efeitos persistem na estrutura democrática do país. A análise apresentada ao longo do encontro ressaltou que as estruturas de repressão implementadas na década de 1970 deixaram um legado duradouro, influenciando conflitos agrários posteriores e contribuindo para a militarização das questões fundiárias.

Foram citados episódios como a chamada “Guerra dos Perdidos” (1976) e ações de monitoramento de movimentos sociais que se estenderam até os anos 2000. Também foi enfatizada a compreensão jurídica do desaparecimento forçado como crime permanente, conforme decisões internacionais, enquanto não houver esclarecimento sobre as circunstâncias das mortes e localização dos corpos das vítimas. Os debates apontaram para a necessidade de medidas institucionais voltadas à preservação da memória histórica. Entre as propostas destacadas estão o tombamento da Casa Azul e sua transformação em espaço de memória, a revisão de homenagens públicas a agentes ligados à repressão e o fortalecimento de parcerias entre universidades e movimentos sociais para registro de memórias orais. A programação foi encerrada com visita à Curva do S, local simbólico do massacre de Eldorado dos Carajás, onde integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizavam atividades em memória das vítimas. O grupo de estudantes seguiu posteriormente para Eldorado dos Carajás, onde realizou pernoite. A atividade reforça o papel das instituições de ensino na promoção do debate crítico e na preservação da memória histórica, especialmente em regiões marcadas por conflitos sociais e violações de direitos humanos.

Autoria: Rafael Valente e Wilson Sampaio

Nesta segunda-feira(13/04) alunos do INEAF e NAEA iniciaram uma viagem de campo até o sudeste do Pará. A viagem que faz parte da disciplina Questões Agrárias, ministrada pelo professor Frederico Brandão, busca proporcionar aos estudantes o acompanhamento das atividades realizadas no quadro dos 30 anos do Massacre de El Dorado dos Carajás. O grupo foi recebido na Fundação Social Agroambiental Cabanagem, local de acolhimento da Comissão Pastoral da Terra em Marabá, durante a acolhida contamos com a presença de Nete ( UNIFESPA), Janailson (UNIFESSPA), Giliade( IEDAR/UNIFESSPA).Foi realizada uma dinâmica de interação pedagogia entre os participantes, estudantes e professores.

Grupo saindo de Belém até Marabá.

 

Jantar de integração e acolhida na Cabanagem com presença de convidados.

 

"O que de fato unifica a Amazônia é a diversidade e eu acho que esse território expressa isso de modo muito significativo desde a relevância da castanha-do-pará, pecuária, atividades de mineração, soja e outros produtos de monocultura [...] Isso faz a região ser um grande caldeirão de conflitos e contradições e também um espaço adequado para quem tem a perspectiva de pesquisa engajada", disse o professor Giliade Silva em comentário sobre as pesquisas realizadas na região.

 

O grupo segue em pesquisa de campo até sexta-feira (17/04) e fará o retorno no sábado (18/04) pela manhã.  

 

Autoria Por: Evelyn Neves e Diego Marcos

Temos o prazer de anunciar o nosso primeiro card de divulgação do seminário “Saberes da Amazônia: Conexões Interdisciplinares entre Território, Sociedade e Natureza”, que acontecerá no dia 30 de abril, no campus Guamá da UFPA.

Este evento reunirá reflexões fundamentais sobre a Amazônia, promovendo diálogos entre diferentes áreas do conhecimento e valorizando as múltiplas formas de saber que emergem do território amazônico.

Em breve, divulgaremos a programação completa e a abertura das inscrições.

Todas as informações estarão disponíveis no site do PPGAA.

Fique atento(a) e acompanhe nossas próximas atualizações!